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Atualizada em 31/10.



Pratos do Dia

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Processo de Engorda

Temos no jornal Valor Econômico de hoje (31/07):

"Superávit primário do governo central cresce 13,4% no 1º semestre. Despesas e receitas registram, no período, aumento maior que o do PIB" .

Pra quem não sabe, governo central inclui Banco Central, Tesouro e Previdência. Dois fatos assustam: a velocidade do aumento das despesas foi 2,7% acima do PIB, e as receitas, em comparação ao produto nominal, cresceram 3%. Um alivía: a taxa de aumento das despesas é bem menor que do ano passado, mesmo período, que foi de 6,2%, um absurdo.

Não é à toa o crescimento pífio nos últimos anos. E não é a esmo a baixa proporção do middle market entre as empresas do país: informalidade ou Simples aos pequenos, "Bolsa TJLP", investimento direto lá fora ou escala para as grandes. Quem não ganha tratamento fiscal especial se vira como pode (e como não pode!).

O resultado primário até agora é de 3,6% do PIB, perto da nova meta (alterada seguindo os PPIs). Sinceramente, mantê-lo nos próximos anos será uma árdua tarefa, especialmente se as despesas continuarem neste rítmo. Isto porque não acredito que o lado da receita continue a cobrir os gastos. Não pelo aumento de tributos, pois níveis superiores seriam acompanhados de gritaria e possivelmente não passariam no Congresso; talvez pelo aumento da massa salarial e da lucratividade das empresas, quem sabe. Ou seja, dependemos do crescimento do país! Justamente o que vem sendo atravancado pelos pesados tributos! Estamos sinucados!

Por fim, polemizo! O destaque entre as despesas ficou para as vinculadas ao mínimo (subiram extravagantes 19,2% em relação ao ano passado), despesas com abono salarial e seguro desemprego (16%). Mas, os gastos com salários do funcionalismo subiram para 4,51% do PIB. Mais ou menos o que o país gasta com educação! Podemos chamar isso de "Bolsa Classe Média"? Classe média funça, claro! Como Diogo Mainardi já nos alertara, a "luta de classes" no Brasil é entre nós e o Estado! Acho que é quase por aí: se trava entre burocratas (e agraciados com gorjeta pública) e classe média não-contemplada! Nem a "zelite", constante nos discursos do lula-molusco, estão no segundo grupo - já que levam o seu via BNDES!

Seria uma espécie de estatização do indivíduo?
Quantos de vocês não querem ser estatizados?

3 comentários:

Loyola y Loyola disse...

Só para que conste, comentário (via e-mail) de Mr. Pin:

comédia. total.

então acho que acertei!!!

Loyola y Loyola disse...

Texto rápido e "engraçadinho" no mídia sem máscara, da advogada Suzana Magalhães Lacerda:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5951

No caminho, um dilema. Não sei se queria ser funcionária pública para também não fazer nada e irritar todo mundo ou se queria ser uma terrorista e jogar uma bomba em cada repartição que passei.

Loyola y Loyola disse...

Mais gente que nunca desiste!

E não estou sozinho em minhas críticas, claro.

Deu hoje (01/08) no Estadão comentário do Raul Velloso:

"O superávit poderia ser obtido de outra maneira. Poderia ser com impostos e gastos correntes menor e gastos de investimentos maiores. Há outras formas de se fazer superávit.

Não para por aí; agora os comentários são do repórter:

A questão é que os recursos da arrecadação do governo vêm de uma extração de dinheiro da sociedade, sob a forma de impostos.

E quanto mais se retira da sociedade, menos poupança sobra para as pessoas e as empresas. além disso, quando estes recursos são usados para cobrir gastos correntes elevados, o País deixa de investir em áreas importantes como infra-estrutura e não se prepara para crescer a longo prazo


Não mencionei os investimentos em meu texto! Mea culpa! Mas queria atacar os gastos correntes.